A pandemia do novo Coronavírus tem impressionado todo o planeta.
E, por isso, o mundo esportivo foi obrigado a paralisar todas as competições, o
que provoca uma indefinição quanto ao termino destas competições e o restante
do calendário de 2020. Além disso, com a falta de jogos os clubes não tem como
obter renda e nem a cota de televisão para pagar salários. Isso em um país que
a maioria dos clubes tem dificuldades financeiras e acumulam dívidas trabalhistas.
A maioria dos jogadores e torcedores querem a sequência dos jogos e o
fechamento da temporada. Mas para isso a melhor opção é a realização das
partidas seguindo as precauções necessárias sem a presença do público até que
se resolva o problema do surto. Porém, isso acarreta uma menor arrecadação das
agremiações e um final de ano bem complicado.
Alguns clubes tem mais “facilidade” para passar por essa paralisação forçada. Na primeira divisão, o maior destaque é o Flamengo. O clube carioca tem a melhor política econômica do futebol brasileiro e “teoricamente” conseguiria suportar a falta das cotas televisivas com premiações e patrocínios. Com a responsabilidade financeira implantada no clube, a estimativa era do aumento das receitas em 16% no início do ano, o que chegaria a mais de 700 milhões de reais. Com a renda estimada para 2020 seria possível arcar com 50 meses de folhas salariais de jogadores e comissão técnica, que gira em torno de 14 milhões mensais. Entretanto, apesar do boom financeiro, todo um projeto de reestruturação do clube pode ser comprometido caso a pandemia dure mais tempo.
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| Pacaembu virou hospital de campanha para infectados com Coronavírus. FOTO: Globoesporte.com |
Mas
essa não é a realidade dos outros times. Mesmo os grandes têm uma situação
financeira complicada. Se antes da doença, equipes como Vasco, Corinthians e Cruzeiro (para citar
alguns exemplos) já passavam por dificuldades, em um momento que não há renda
devido a falta de jogos a situação tende a piorar. Muitas agremiações deram
férias aos seus atletas e pagam ainda integralmente seus salários, outros já reduziram
salário dos jogadores. Porém, nesse momento é necessário entrar em acordo com
seus colaboradores, seus profissionais de todas as áreas envolvidas no clube e
alguns terão que ceder.
Já
times menores sofrem muito com o desenrolar da pandemia. Além de não conseguir
manter seus atletas que estão com contrato vigente, clubes têm perdido atletas
devido ao fim do contrato, que iria até o fim dos estaduais. E aqueles que
continuarem e não aceitarem redução de salário podem entrar na justiça contra o
clube e agravar ainda mais a situação dos clubes. O Santo André já
avisou que terá dificuldades com a retomada do Paulistão porque, além da perda de
atletas, o estádio Bruno José Daniel virou hospital de campanha para infectados com Covid-19. Porém, Federação Paulista autorizou a inscrição de
novos jogadores.
Independente
da situação dos clubes, a retomada do futebol não será boa para todos. Porque é
provável que jogadores recebam menos já que não haverá renda da torcida, pois
-- ao menos até setembro -- os jogos dever acontecer com portões fechados. E
com calendário apertado haverá a diminuição do intervalo dos jogos: de 68 horas
para 48 horas. E ainda há o risco de um jogador ou profissional envolvido com
jogo contaminar alguém -- bom lembrar que a maioria dos infectados não terão
sintomas e podem espalhar a doença sem saber. A pré-temporada para retomada da
condição física não deve ser a ideal, já que faltarão datas. Há risco de
desgaste pelo número de jogos. Mas, como sem jogo os clubes não terão como
obter renda, agremiações serão obrigadas a jogar no sacrifício. Por isso, o
resto do ano não será fácil, e 2021 deve só conter e não melhorar a crise
financeira.


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