sábado, 25 de abril de 2020

COMO O FUTEBOL BRASILEIRO VAI REAGIR A PANDEMIA DO COVID-19?

A pandemia do novo Coronavírus tem impressionado todo o planeta. E, por isso, o mundo esportivo foi obrigado a paralisar todas as competições, o que provoca uma indefinição quanto ao termino destas competições e o restante do calendário de 2020. Além disso, com a falta de jogos os clubes não tem como obter renda e nem a cota de televisão para pagar salários. Isso em um país que a maioria dos clubes tem dificuldades financeiras e acumulam dívidas trabalhistas. A maioria dos jogadores e torcedores querem a sequência dos jogos e o fechamento da temporada. Mas para isso a melhor opção é a realização das partidas seguindo as precauções necessárias sem a presença do público até que se resolva o problema do surto. Porém, isso acarreta uma menor arrecadação das agremiações e um final de ano bem complicado.

Alguns clubes tem mais “facilidade” para passar por essa paralisação forçada. Na primeira divisão, o maior destaque é o Flamengo. O clube carioca tem a melhor política econômica do futebol brasileiro e “teoricamente” conseguiria suportar a falta das cotas televisivas com premiações e patrocínios. Com a responsabilidade financeira implantada no clube, a estimativa era do aumento das receitas em 16% no início do ano, o que chegaria a mais de 700 milhões de reais. Com a renda estimada para 2020 seria possível arcar com 50 meses de folhas salariais de jogadores e comissão técnica, que gira em torno de 14 milhões mensais. Entretanto, apesar do boom financeiro, todo um projeto de reestruturação do clube pode ser comprometido caso a pandemia dure mais tempo.


Pacaembu virou hospital de campanha para infectados com Coronavírus. FOTO: Globoesporte.com
Mas essa não é a realidade dos outros times. Mesmo os grandes têm uma situação financeira complicada. Se antes da doença, equipes como Vasco, Corinthians e Cruzeiro (para citar alguns exemplos) já passavam por dificuldades, em um momento que não há renda devido a falta de jogos a situação tende a piorar. Muitas agremiações deram férias aos seus atletas e pagam ainda integralmente seus salários, outros já reduziram salário dos jogadores. Porém, nesse momento é necessário entrar em acordo com seus colaboradores, seus profissionais de todas as áreas envolvidas no clube e alguns terão que ceder.

Já times menores sofrem muito com o desenrolar da pandemia. Além de não conseguir manter seus atletas que estão com contrato vigente, clubes têm perdido atletas devido ao fim do contrato, que iria até o fim dos estaduais. E aqueles que continuarem e não aceitarem redução de salário podem entrar na justiça contra o clube e agravar ainda mais a situação dos clubes. O Santo André já avisou que terá dificuldades com a retomada do Paulistão porque, além da perda de atletas, o estádio Bruno José Daniel virou hospital de campanha para infectados com Covid-19. Porém, Federação Paulista autorizou a inscrição de novos jogadores.


Independente da situação dos clubes, a retomada do futebol não será boa para todos. Porque é provável que jogadores recebam menos já que não haverá renda da torcida, pois -- ao menos até setembro -- os jogos dever acontecer com portões fechados. E com calendário apertado haverá a diminuição do intervalo dos jogos: de 68 horas para 48 horas. E ainda há o risco de um jogador ou profissional envolvido com jogo contaminar alguém -- bom lembrar que a maioria dos infectados não terão sintomas e podem espalhar a doença sem saber. A pré-temporada para retomada da condição física não deve ser a ideal, já que faltarão datas. Há risco de desgaste pelo número de jogos. Mas, como sem jogo os clubes não terão como obter renda, agremiações serão obrigadas a jogar no sacrifício. Por isso, o resto do ano não será fácil, e 2021 deve só conter e não melhorar a crise financeira.

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